Aumento na exportação de grãos faz disparar custos de produção da carne no Brasil

Diocese de Tubarão terá missas presenciais
3 de junho de 2020
Reurb: 24 terrenos do Bairro Santa Luzia são regularizados
3 de junho de 2020

A valorização do dólar e a alta nas exportações brasileiras de grãos já pressionam os custos de produção agropecuária. Os produtores de carne, principalmente aves e suínos, dependem de soja, milho e derivados para ração animal. Além disso, há preocupação com a possível redução no consumo de proteínas por conta da crise de Covid-19.

No dia 2 de janeiro, o preço da saca de 60 kg de milho estava em R$ 48,43, na média, em Campinas (SP). No entanto, com o mercado externo aquecido no início da pandemia, a cotação chegou ao recorde de R$ 60,14 pela mesma quantidade em 31 de março, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea-Esalq/USP).

Em abril e maio, entretanto, o valor do cereal caiu influenciado pela alta disponibilidade de milho dos Estados Unidos no mercado externo e pela leve queda no dólar, fechando a R$ 50 na última quinta-feira (28/5). Esse patamar, porém, representa um valor 29,6% maior do que em maio do ano passado, quando a saca estava em R$ 38,56.

Paraná apontava R$ 79,53 no começo do ano. Com a valorização nos últimos dois meses, a saca chegou ao pico de R$ 106,07 no último dia 18. Na quinta-feira, fechou a R$ 99,81, – mesmo com a queda, a cotação é 29,4% maior do que no final de maio do ano passado.

Para o sócio-diretor da Athenagro, Maurício Palma Nogueira, a valorização dos grãos deve reduzir os ganhos dos pecuaristas. “Não acredito que consista numa ameaça que inviabilize a produção, mas irá impactar as margens, aumentando a exigência gerencial dos produtores”, afirma.

Mesmo em situação complicada, a perspectiva antes da pandemia era mais positiva, o que fica comprometido com a perda de renda da população diante da crise. “Era um cenário que já estava complicado por conta do preço da ração. É catastrófico por conta da queda no preço da carne de frango”, avalia Ariovaldo Zani, vice-presidente do  Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal (Sindirações).

Poder de compra reduzido

Com a restrição no poder de compra no mercado interno, muitos frigoríficos se beneficiaram do câmbio elevado para aumentar as receitas com a exportação.

Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), os embarques externos da carne de frango (in natura e processados) totalizaram 1,365 milhão de toneladas nos primeiros quatro meses do ano, 5,1% acima do registrado em 2019, com 1,299 milhão de toneladas exportadas.

No caso dos suínos, a ABPA aponta que esse aumento proporcional nas vendas externas foi ainda maior, com o total 280,8 mil toneladas no primeiro quadrimestre, volume 28,4% superior ao registrado aos primeiros quatro meses de 2019, com 218,7 mil toneladas.

“O dólar acaba pesando também nos fatores de custos de produção porque alguns insumos são importados. Com essa retração do consumo interno, o câmbio tem favorecido porque você consegue manter a produção com esse importante canal de escoamento”

Alcides Torres, sócio-diretor da Scot Consultoria

No entanto, analistas alertam que a capacidade de remanejar a produção para a exportação fica limitada às grandes empresas com maior capacidade de produção e que têm plantas habilitadas para atender outros mercados consumidores de proteínas, caso da China.

De acordo com a ABPA, cerca de 80% dos suínos e 70% da produção de aves ficam no mercado interno, já que o segmento possui muitas indústrias de pequeno porte que não contam com estrutura e autorização dos demais países para exportar.

Preço da carne

Enquanto os grãos registram valorização na primeira metade do ano, o mesmo não aconteceu com o preço das carnes. O valor da carne de frango congelado passou de R$ 5,38 em janeiro para R$ 4,04 ao final de maio no Estado de São Paulo, segundo o Cepea. Na comparação entre maio deste ano e o mesmo mês do ano passado, a cotação de aves recuou R$ 0,76, cerca de 16%.

Já a carcaça suína no atacado da Grande São Paulo estava em R$ 9,97 em janeiro deste ano, passando para R$ 6,90 ao fim de maio, recuo de 30,7%. Na comparação entre maio de 2020 e o mesmo mês do ano passado, a diferença é menor, já que a carne de porco estava avaliada em R$ 7,12 ao final do mesmo período em 2019.

Fonte: Revista Globo Rural

Posts Relacionados

Guilherme
Guilherme
Comunicador e Produtor do Programa Hora H e H News.

Os comentários estão encerrados.